Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça - Análise



CINEMA



Depois de ter visto um dos mais aguardados filmes dos últimos anos, e que tantas opiniões mistas tem gerado, apresento o meu ponto de vista.

Veredicto

O peso nos ombros de Zack Snyder era enorme, sobretudo depois de um "Man of Steel" que nos deixou com um sabor agridoce na boca. Devo deixar desde já claro que "O Despertar da Justiça" é um melhor filme que "Man of Steel", mas isso deve-se ao desempenho dos seus actores e não ao enredo em si.

A história começa exactamente na luta final de "Man of Steel", por isso aconselho vivamente a reverem o filme antes de irem aos cinemas. A prestração de Henry Cavill segue a linha do filme anterior: uma super-herói algo ingénuo que, apesar do bom coração, não consegue encontrar o seu lugar junto dos restantes terrestres.


Devo deixar desde já claro que "O Despertar da Justiça" é um melhor filme que "Man of Steel", mas isso deve-se ao desempenho dos seus actores e não ao enredo em si.


Ben Affleck é um excelente Batman, com um ar bastante mais maturo e sombrio que o de Super-Homem. A voz tenebrosa e robótica consegue ser ainda melhor que a rouca usada por Christian Bale (e já na altura adorava essa voz). Também o fato é excelente, muito mais robusto e dirty que o da trilogia de Christopher Nolan.

No entanto, preferia o Keysi Fighting Method que Nolan usou que o estilo de luta mais standard e bruto pelo qual Snyder optou. Aliás, esta é uma versão muito mais sombria de Batman que a da trilogia Dark Knight: um Bruce Wayne mais velho e desgastado (como o próprio Alfred chama atenção), que perdeu Robin e que não receia em usar força letal.

Na luta final a sinergia do trio é fraca, havendo um claro desequilíbrio e desaproveitamento das utilidades 
Infelizmente, Jeremy Irons não consegue ter metade do carisma do Alfred de Michael Caine (que foi um cast perfeito na altura, na minha opinião). Apesar de ser um mordomo dedicado e atencioso, não é aquela figura paternal e conselheira, que vai buscar o Batman a meio da noite depois de este perder uma luta.

Jesse Eisenberg consegue um desempenho satisfatório como Lex Luthor, embora o facto de parecer demasiado novo para o papel lhe atribuía uma personalidade infantil e cujas ambições nunca realmente percebemos.


Infelizmente, Jeremy Irons não consegue ter metade do carisma do Alfred de Michael Caine (...)


Quem acaba mesmo por surpreender é Gal Gadot que, apesar de só se mostrar na luta final e pelo meio ser forçada a desempenhar um sub-enredo ridículo que envolve fotos e ficheiros perdidos, dá um ar bastante forte a Wonder Woman, lutando com praticamente a mesma força e poder que o Super-Homem.

Zack Snyder interessa-se pouco pela personalidade do Clark Kent e muito mais pela do Super-Homem
Apesar de bons momentos e boas prestações por parte de alguns actores (Ben Affleck e Gal Gadot, sobretudo), há várias falhas no enredo que não deveriam existir num filme deste calibre. A luta principal, Batman contra o Super-Homem, satisfaz a vista mas acaba de uma maneira completamente absurda. Basicamente, de um momento para o outro já são os melhores amigos devido a uma simples coincidência!


Basicamente, de um momento para o outro já são os melhores amigos devido a uma simples coincidência!


E depois há "colagens" de cenas no meio da história que nos fazem torcer o nariz, sem uma transição suave e que faça sentido com o flow do filme. Foi dada demasiada importância ao conflito entre todas as personagens, ao invés das personagens em si. Isto resulta num enredo pouco desenvolvido e pouca compreensão das motivações de cada um.

Gal Gadot surpreende como uma Mulher-Maravilha poderosa e carismática
Sinto que se tivesse havido um pouco mais de tempo de ecrã para o desenvolvimento introspectivo de cada herói, teríamos encontrado vários momentos de cortar a respiração. Infelizmente, Zack Snyder geriu mal as duas horas e meia de filme, perdendo tempo com sub-tramas desnecessárias e tentativas aquém de nos provocar com personagens do futuro Justice League.


Sinto que se tivesse havido um pouco mais de tempo de ecrã para o desenvolvimento introspectivo de cada herói, teríamos encontrado vários momentos de cortar a respiração.


A luta com o Doomsday é previsível e há um "desbalanço" entre a utilidade de cada um do trio de super-heróis que só mancha o carisma desse tal elemento. A sinergia entre o grupo poderia ter sido muito melhor aproveitada, ao estilo do que a Marvel faz com os combos de golpes e super-poderes entre os vários heróis.




Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça serve como um prelúdio decente para os restantes filmes da DC por vir, mas que fica bastante aquém daquilo que poderia ter sido caso as duas horas e meia não tivessem sido gastas em tantos sonhos e sub-enredos desnecessários, mas mais no desenvolvimento introspectivo das personagens.
Temos algumas actuações bastante boas e outras que ficam aquém, algumas cenas fantásticas e outras medianas, mas no geral é um daqueles filmes que nos faz sair satisfeitos do cinema mediante a condição de não termos entrado mais excitados do que um miúdo na véspera de natal que espera encontrar uma bicicleta no pequeno embrulho debaixo da árvore.



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